quinta-feira, 1 de julho de 2010

Meu Próprio Penhasco

Todas as vezes em que fui estapeado,
machucado e incompreendido,
caminhei até meu próprio penhasco
e tentei - Eu juro! - ceder ao sofrimento.
Mas a bela visão daquele entardecer me fez esperar...

E eu sentei em silêncio.
Não havia dor ou incompreensão suficiente para me fazer pular.
Preferi esperar
mais uma noite se passar...

Todas as vezes em que ouvi ''não'',
da fria e cruel maneira a qual muitos conseguem dizê-lo,
caminhei até meu próprio penhasco
e procurei - eu juro! - mil motivos para me atirar.
Mas a bela visão daquele céu noturno me fez esperar...

E eu deitei em silêncio e peguei no sono.
Não havia frieza ou crueldade suficiente para me fazer pular.
Preferi esperar
Mais uma noite se passar...

Porém, quando ouvi o seu adeus
Oh, garota, eu juro, meu penhasco veio correndo até mim.
Aquele era o momento, pensei, o momento exato!
Pois não suportaria mais um seco segundo sem sua presença!
Foi quando a bela visão daquele amanhecer me fez esperar...

E eu admirei em silêncio,
percebendo que o único adeus que me faria morrer de verdade
era o do meu próprio penhasco.

Ah, meu próprio penhasco! Criado por mim!
De sua linguagem silenciosa compreendi enfim
que nossa beleza; minha beleza
é suficiente para me fazer esperar...

Ah, meu próprio penhasco! Criado por mim!
Que tanto sustentou minha ingratidão
me mostrando silenciosamente sua imensidão
sempre suficiente para me fazer esperar...

E, daqui em diante, prometo
sempre esperarei mais uma noite ou dia passar
para só então decidir se devo ou não me atirar
de você, penhasco.

Quanto a você, pobre garota,
encontre seu próprio penhasco
e pule dele se assim desejar!

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